Ladra da vida

Hoje a  vida está submersa em tristeza profunda. Com a saúde corroída e a vida tragada. Tudo agora é intragável. Ela começa com angústia, desânimo. Não se quer mais ver o mundo. As figuras perdem a cor. Lentamente, a força dele para viver foi se esvaindo. As dores do mundo passaram a se tornar as suas próprias, tudo se tornou pesado e sufocante. A vontade de descobrir já não é mais. O novo não mais o atrai.

Dias e dias se passaram. Agora são todos iguais. É sabido que quando não vivemos novas experiências, os dias em nossa memória tornam-se idênticos. Um se sobrepõe ao outro. A vida de quem vive essa tristeza é assim. Um amontoado de dias iguais. Sem cor, sem viço. Vazios. Escuros. Angustiantes.

Quer o brilho, mas a luz se apagou. Quer a alegria, mas ela esmoreceu. A vida o quer. Mas ele desistiu de querê-la. E por ter abandonado a jornada, ele se pergunta: “que prazer terei eu em tentar de novo? Acho que nenhum. Então, fica assim. O nada também é confortável…”

Prefere ficar deitado na cama, à margem do tempo, enxergando e contando os espectros do sol que passam através de sua janela ensolarada e refletem no teto. Nem como os animais é porque dorme, come, faz suas necessidades e vive nessa ciranda ininterrupta. É amargo e infeliz. Ela venceu. Ele sucumbiu. E submergiu no oceano da depressão.

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