Livros: Cemitério dos Vivos e Diário do Hospício,de Lima Barreto

Muito se ouve falar sobre os hospícios. Mas, pouco se sabe como deve ter sido viver em um. Principalmente quando não se é louco. Essa foi a experiência de Lima Barreto, ao escrever essas duas obras-primas.

Diário do Hospício fala da segunda internação do escritor e jornalista, entre o natal de 1919 e fevereiro de 1920, no Hospício Nacional dos Alienados, no Rio de Janeiro. As impressões e observações argutas sobre os companheiros de quarto, de pavilhão, sobre os médicos viciados no novo e com falta de desejo pela prática, pelo o ser mais humano com quem sofria, são terríveis de tão reais. Isso e muitas mais coisas escreveu Lima Barreto, alcoólatra, que deu dor de cabeça demais à família, que por sua vez, o internou.

Lima Barreto vez ou outra foge, divaga, para eu que não existia em seus escritos. Talvez para amenizar a angústia e o pânico que o prendiam e que, ambos por sua vez, o impulsionavam à bebida. Pra esquecer. Esquecer da vida, do futuro, de quem se é e não se quer ser. Dos livros, elogiados, mas que segundo ele “só lhe deram o leve ardor da fama”.

Já o no inacabado romance, Cemitério dos Vivos, ele escreve sobre a experiência da loucura em uma liguagem mais ficcional. Os dois livros foram publicados depois da morte de Lima Barreto, em 1953. Esse, eu ainda não li, não cheguei lá (estou terminando o primeiro livro!). Mas, os fragmentos desta obra que eu já tinha tomado conhecimento ecoam em minha mente como mostras de uma dor pungente: a do descaso e o desprezo pelo ser humano.

Recomendo os dois livros, que foram publicados pela editora Cosac Naif em edição especial. A nova versão tem um prefácio do crítico literário Alfredo Bossi, que traz diversas informações que facilitam (e muito) a compreensão do contexto da época (A nova República brasileira e a capital, o Rio de Janeiro). Além disso, o livro traz também um retrato da história da cultura nacional, onde o drama pessoal do autor é evidenciado por meio da reprodução de crônicas de escritores conteporâneos à Lima Barreto, como Machado de Assis, Raul Pompéia e Olavo Bilac.

Enfim, é uma obra densa, mas de um grande sensibilidade e que vale a pena ser adquirida!

Bj!

Cemitério dos Vivos e Diário do Hospício
Editora: Cosac Naif
Autor: Lima Barreto
Organização e notas: Augusto Massi, Murilo Marcondes de Moura
Prefácio: Alfredo Bosi
Preço: R$ 55

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2 respostas para Livros: Cemitério dos Vivos e Diário do Hospício,de Lima Barreto

  1. Lica disse:

    Sil, amei a indicação. Uma leitura instigante e que com certeza proporcionará boas reflexões.

    Continue compartilhando.

    Beijos!

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