O quase-fim de um ícone cultural

 A história deste local é um dos assuntos mais comentados pelos saudosistas paulistanos. É, a era Belas Artes está mesmo comprometida pelo mercantilismo. Até então, ele estava lá, quietinho na Rua da Consolação, fazendo a cabeça da galera mais  descolada e que aprecia a sétima arte.

E ao que tudo indica, ele terá o mesmo fim do Gemini. Tudo isso pela massificação do cinema. Claro que eu não estou reclamando das grandes salas de cinema, não é isso. Elas são mesmo ótimas. Mas, o fato é que mais uma vez a cultura da cidade de São Paulo perde para a modernidade. É como fechar as salas tradicionais de teatro da cidade só porque os novos shoppings  também abrigam salas luxuosas. Não dá para as duas simplesmente coexistirem?

Reforço: não sou contra o avanço e as melhorias que a tecnologia e afins trazem. O problema é quando isso vai substituindo coisas que são legais e importante históricamente em busca de mais lucros. Grana é importante, mas história e cultura também são.

É claro que a localização do Belas Artes é um ótimo ponto comercial. Mas, em busca do dinheiro, vai se apagando a história. E é isso que me chateia. Acho que sou sentimental demais para me deixar contaminar com esse tipo de ambição.

E para quem como eu tem ótimas recordações do Cine Belas Artes, ele ficará aberto até o dia 28 de fevereiro. Digamos que é uma sobrevida ao prédio. Ou, uma despedida prolongada.

Entenda a situação do Belas Artes

O problema basicamente acontece porque o proprietário do imóvel, Flávio Maluf, exige R$ 150 mil mensais, de acordo com a mediação do promotor Maurício Antônio Ribeiro Lopes. No entanto, o administrador do Belas Artes, André Sturm, ofereceu R$ 85 mil por mês, o equivalente a R$ 1 milhão no decorrer de um ano.

Já existem ações na Justiça para tentar de alguma forma preservar a história do prédio. O Conpresp, Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo, continua elaborando um parecer sobre a validade do tombamento do prédio que abriga o cinema. O processo deve durar até 90 dias. Nesse período a fachada do imóvel não poderá ser alterada.

O estardalhaço do fechamento do Belas Artes veio à tona em janeiro desse ano. Flávio Maluf, o dono do imóvel, tinha na época decidido não renovar o contrato do cinema para dar lugar a uma loja. Como no caso das salas de cinema do Gemini (que ficavam na mesma região), a notícia mobilizou multidões na internet e cinéfilos se mobilizaram para evitar que as portas baixassem, por meio de abaixo-assinados virtuais e passeatas. Famosos como o ex-governador José Serra, o prefeito Gilberto Kassab e os secretários estadual e municipal de Cultura, Andrea Matarazzo e Carlos Augusto Calil também aderiram à causa.

Fundado em 1943, o Belas Artes tornou-se, a partir de 1967, a maior referência de cinema de arte na cidade de São Paulo. Por exibir obras de cineastas consagrados numa programação diversificada, foi ponto de encontro da cena cultural da época e celeiro de ideias para toda uma geração de realizadores, em especial do chamado cinema marginal. Desde 2003, a sala está a cargo dos sócios Pandora e O2 Filmes.

Anúncios
Esse post foi publicado em Filmes e Seriados, Uncategorized e marcado , , , . Guardar link permanente.

3 respostas para O quase-fim de um ícone cultural

  1. Pingback: Vai ou racha | Ciranda de Moça

  2. Pingback: Belas Artes: E aí? | Ciranda de Moça

  3. Pingback: E ele se foi… | Ciranda de Moça

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s