Livro: Rota 66

Quem daqueles que começaram a estudar Jornalismo nunca se imaginou no lugar do Caco Barcellos ou do Willian Bonner? Eu digo a vocês que fui  um desses estudantes. E continuo tão sonhadora quanto.

E falando em Caco Barcellos, eu ficava maravilhada com a maneira como ele conduzia as matérias. Sentia mesmo que ele estava na minha frente, me pegando pela mão e me fazendo entender o que ele dizia. E esse, na verdade, é um dos objetivos do bom jornalista: ser um (excelente) contador de histórias.

E falando em boas histórias, esse livro que falo hoje é um dos clássicos do jornalismo investigativo no Brasil: Rota 66 – A História da Polícia que Mata. Caco Barcellos nos faz viajar no tempo com as histórias que conta nesse livro. Ele de fato é uma das leituras obrigatórias de todo estudante de Jornalismo. E fora o fato de que essa obra é ganhadora do Prêmio Jabuti de 1993.

De maneira única, ele nos mostra como era o trabalho da Polícia Militar em São Paulo entre as décadas de 1970 e 1990. Em seu livro, Caco mostra com minúcia como a Ronda Ostensiva Tobias de Aguiar, a temida Rota, agia com a população paulistana, sendo na verdade um aparelho de morte e não de ordem, a mando e com o respaldo do Estado.

Milhares de pessoas foram exterminadas (sim, é essa a palavra) por ações irregulares dessa entidade que se dizia lutadora em prol do bem-estar social. E Caco Barcelos detalha em Rota 66 como esse sistema de extermínio funciona e mostra também como o próprio sistema incentivava ações desse tipo.

Como todo livro-reportagem, o Rota 66 é resultado de um rigoroso processo de investigação jornalística, o que faz com que ele, além de uma grande reportagem, seja também uma denúncia social com base em fatos verídicos.

Essa obra pinta um retrato do Brasil do meio para o fim do período da ditadura militar, mostrando também a discriminação social,  racial e as injustiças praticadas nas  periferias paulistanas.

Algo que devemos estar atentos durante a leitura é o fato de que Caco Barcellos insiste em deixar claras as maneiras usadas pelos policiais para “maquiar” as cenas dos supostos “confrontos com bandidos”.

Por exemplo, Caco e seus colaboradores descobriram que nesse período, as estatísticas de mortes foram maiores do que a de muitas guerras do século XX… Isso em apenas 30 anos e só na capital paulista! E a maioria das vítimas mortas por policiais era pobre, negra e não tinha passagem pela polícia, Era inocente. Devido à constatações como essas que a frase “Polícia primeiro atira e depois pergunta” tomou corpo – e com razão – nas periferias de São Paulo.

Rota 66 – A História da Polícia que Mata é aquele tipo de livro que você lê e nunca mais esquece. Vale a pena mesmo dedicar o seu fim de semana à isso.

Rota 66 – A História da Polícia que Mata
Caco Barcellos
Editora Record
Em torno de R$ 45

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